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Sábado, 15 Maio 2010 22:01

 

trilhojalesTrilho de Jales

Assim inicio mais um resumo da passada caminhada: trilho de Jales.

«Todos nós criamos o mundo a nossa medida. O mundo longo para os longevos e curto dos que partem prematuramente. O mundo simples para os simples e o complexo para os complicados» de Miguel Torga

Depois de nos aconchegarmos nos nossos respectivos lugares no autocarro, surge a primeira ameaça de”bomba”. Mas não passou disso, estou certo que uma grande maioria nem sabia o que fazer com o “instrumento” que supostamente produzia som. Todos os pequenos tubinhos em simultâneo ia produzir uma melodia que se ouvia em toda a Vila Pouca de Aguiar e arredores e assim daríamos uma energia positiva a nossa caminhada.

Em Alfarela de Jales, junto ao pelourinho (coluna onde eram exibidos e castigados os criminosos) fomos exibidos para os súbitos de sua majestade D. Manuel I no ano de 1514 altura da entrega do foral, como provam as fotos que nos tiraram. Agora só falta cumprir a pena. Sentença que voluntariamente nos foi imposta e que de bom agrado aceitamos.

Iniciamos a nossa caminhada, agrilhoados as mochilas que pendiam dos nossos ombros. Rasgámos caminhos largos, estreitos, húmidos, secos, sombrios e solarengos que nos levaram ao conhecimento de novos lugares, aldeias, credos e raças. A sombra dos carvalhos e castanheiros por onde passávamos minimizava o calor que se fazia sentir e dávamos asas a nossa imaginação.

Os campos floridos emanavam cheiros e projectavam no horizonte uma multiplicidade de cores. Os prados cobertos por animais imponentes e que imponham respeito, e nos fazia amainar a marcha, não vá algum querer fazer uma corrida connosco. Estes contrastavam com os pachorrentos burros que encontrávamos e que alguns cumprimentavam como amigos de longa data. Aos poucos íamos encurtando a distancia que nos separava do fim.

Caminhávamos humanamente de igual para igual, sem uma palavra amarga, sem um franzido de testa O chão de Campo de Jales esta minado com imensas galerias e túneis desde o período romano ate o ano da graça de 1992.

Do alto da gávea um grumete gritava Terra à vista! Ao avistar o autocarro em terra firme na linha do horizonte.

Chegava a hora de deixar Alfarela de Jales, para alguém que depois de nós a encontre como nós a encontramos.

Já o percurso de volta estava no ar, quando a animação começou, dando largas a imaginação de artistas consagrados da TV, rádio e cassete pirata. Difundindo desde o motorista ate ao lugar 54, muita alegria e animação.

Para recuperar forças fez-se uma paragem no “Ramsés II” lugar de peregrinação das ultimas caminhadas. Embalsamados pelo néctar de Baco, saímos dali como múmias e num estado eufórico causado pelo destrava línguas. Para os mais crentes a Santa Bibiana nos protegia.

Muito bom esse néctar para libertar dos grilhões da timidez. Porque o tempo é escasso e o regresso é soberbo.

No autocarro tivemos a visita da velha guarda Coimbrã. O fado chega pela voz do Garcia (por ironia do destino de lamento dos escravos a símbolo nacional). Como um sol que surge no nevoeiro, qualquer coisa de agradável, de transparente caía do alto e puro céu de melodia, e levantávamos todo o sofrimento.

Do país dos Czares chega a tão afamada voz do Yuri numa versão moderna da famosa “vaquinha” num sotaque muito Aportuguesado.

Nota: por motivos de crise só me é permitido escrever meia pagina A4. Desde já as minhas sinceras desculpas aos viciados em literatura rasca, por este percalço, que penso estar resolvido no próximo orçamento de estado.

Agostinho Santos ( Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar )