| O Homem tem que aprender a andar |
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| Quarta, 03 Março 2010 14:17 | |
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De Juan Rafael Prado - Tui, 03/03/2010 O Homem tem que reaprender a andar
O ser humano começa a ter uma consciência ecológica. Inicialmente vivia-mos com a natureza, depois quisemos subjuga-la e só agora, procuramos integrar-nos nela porque é com ela que teremos de viver. O contacto com a natureza foi, é e será sempre benéfico para o Homem. É na natureza que o Homem continua a ir buscar o seu equilíbrio físico e mental. A natureza, se quisermos, pode ensinar-nos imenso. Além de nos dar o ar puro do dia-a-dia, ainda nos dá a possibilidade de termos agradáveis surpresas. Nela encontramos tudo o que de mais importante parece termos esquecido e perdido. Diariamente somos invadidos por imagens de locais paradisíacos de rara beleza. Porquê? Fazemos esta pergunta a nós próprios. Ou estes locais foram tardiamente descobertos pelo homem ou os habitantes locais souberam viver em harmonia com a natureza. Hoje mais do que nunca necessitamos de reconquistar a natureza e sobretudo de a olhar de uma outra maneira, só assim é nos dada a oportunidade de a desfrutarmos a cada momento. Começamos a ter a noção do tempo e do espaço que nos rodeia perdido e é fundamental voltarmos a repor tudo novamente, pois só assim será possível vivermos melhor. A procura para os grandes espaços naturais começa a ser um destino procurado e desejado. É a resposta natural de quem está saturado da vida nas grandes cidades e do dia-a-dia. Nunca temos tempo para nada. É um ciclo vicioso do qual dificilmente nos livramos ou não queremos nos livrar. Ao fim de semana ou nas férias procuramos o campo, a montanha, a praia ou o rio como a melhor e mais natural forma de o fazer andar-mos a pé. É hora de parar um pouco o tempo e integramos no espaço que nos rodeia. Procuramos um prado, uma serra ou até mesmo um trilho já definido para nos libertarmos do stress do dia-a-dia. Vamos caminhando passo a passo e verificamos que o tempo que todos os dias nos falta, é-nos dado a cada passo que caminhamos tranquilamente. A natureza, como em tudo o resto, é rica. O som do chilrear dos pássaros, do vento nas árvores e plantas, dos cursos de agua, da chuva, e de tudo o mais que possamos imaginar. Se até aqui a natureza já era para nós um emaranhado de surpresas, agora adicionando-lhe os aromas que esta nos apresenta, tudo fica mais belo. Tudo é diferente, tudo cheira de modo diferente. O amante da natureza aprende a conhecer e a desfrutar todo esse tempo. Caminhando a passo podemos admirar e desfrutar a paisagem, as conversas dos companheiros de viagem e as surpresas em cada momento e em cada local. A um ritmo, sem pressa, passo a passo, muitas perguntas têm resposta. Cada um saberá como a conseguir. Caminhe sem pressa, e tenha todo o tempo do mundo para andar, viver a paisagem e estar consigo mesmo. Não se esqueça: o relógio é fruto desta sociedade de consumo. Viva o tempo e aproveite o tempo para escutar o silêncio, parece contraditório mas vai ver que tem muito a aprender. Mais do que lembranças, de texturas, cheiros e imagens há sempre algo a reter desses momentos que farão parte da nossa vida e consequentemente da nossa história, enquanto seres humanos. Lembre-se que para ser agradável usufruir de uma actividade, exige preparação e equipamento adequado. Vá com calma e não queira fazer tudo num só dia. Podemos nos dar ao luxo de uma diversidade de estações ao longo do ano, e o que viu ontem não é igual amanhã. Trate da natureza como se fosse uma parte de si e vai ver que esta lhe retribui. Se cada um o fizer em cada momento, a pequena parte que lhe toca é certo que vai querer voltar. Lembre-se que a caminhada não termina quando chegamos a casa. Você é testemunha disso. Juan Rafael Prado.
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